9/29/2011

Religião so traz problemas


A Corte de Segurança do Bahrein, na qual juízes civis e militares julgam civis, condenou, nesta quinta-feira (29), 13 médicos e enfermeiras a 15 anos de prisão por “crimes contra o Estado”, em uma decisão que gerou revolta e indignação em instituições ligadas aos direitos humanos. A maior parte dos condenados trabalhava no hospital Salmaniya, em Manama, capital do Bahrein, que ganhou fama durante a fase mais aguda de protestos contra a monarquia do rei Hamad ibn Isa al-Khalifa. Foi para o hospital de Salmaniya que foram muitos dos feridos após um massacre na Rotatória da Pérola, no centro de Manama, quando forças de segurança atacaram ferozmente os manifestantes acampados.
As forças do governo invadiram o hospital e alegam que os médicos e enfermeiras não estavam ajudando os feridos, mas sim participando de um complô “terrorista” contra a monarquia, uma acusação rechaçada pelos médicos e por instituições ligadas aos direitos humanos. A Al Jazeera detalha as acusações:
A Agência de Notícias do Bahrein disse que os médicos tentaram “ocupar à força do Centro Médico de Salmaniya, possuíam armas sem licença e facas, incitaram a derrubada do regime, roubaram equipamentos médicos, prenderam policiais e divulgaram falsas notícias”. Eles também são acusados de “incitar o ódio ao regime e insultá-lo, instigar o ódio a outra facção religiosa e obstruir a implementação da lei, destruir propriedade pública e participar de reuniões cujo objetivo era colocar em risco a segurança geral e cometer crimes”.
Nesta quinta-feira, a ONG Anistia Internacional publicou em seu site o depoimento de um dos médicos condenados, escrito antes do julgamento final. Ele conta que foi preso em casa por 30 homens armados e mascarados. Ele, então, foi algemado, vendado, agredido, torturado com espancamentos e choques elétricos e sofreu ameaças de estupro. Depois de 22 dias, foi solto.
Quando eu vi meu filho, ficamos parados por alguns minutos antes que ele corresse para meus braços. Eu o abracei e chorei. (…) Então o horror das cortes militares começou. Nas primeiras audiências estávamos em choque e não conseguíamos acreditar que o governo ainda estava insistindo naquelas acusações totalmente inacreditáveis. Na audiência final, em 29 de setembro, eles vão nos condenar. Acredito que eles sabem que somos inocentes, mas vão nos condenar de qualquer jeito. É um ato político para que outros entendam a mensagem. Se eu tivesse a escolha novamente, eu faria meu trabalho no hospital e salvaria as pessoas feridas não importando qual seu passado. Estou esperando pacientemente, eu tenho fé. Eu acredito que a verdade sempre vence e sempre será vista, não importa o quanto demore. A única coisa que me enfraquece é não ver meu filho crescer na minha frente e temer que ele me esqueça se eu for aprisionado por muitos anos.
José Antonio Lima

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