9/05/2011

Rudy Giuliani o herói do 11/09


NOVA YORK - No 11 de setembro de 2001, ele foi um herói para uma nação traumatizada; um líder forte em tempos de crise. O prefeito Rudy Giuliani percorreu até não poder mais as ruas de Manhattan e em tom calmo disse aos nova-iorquinos e ao mundo que mantivessem a calma, que a cidade seguiria adiante. Serenamente avisou que o número de mortos seria "maior do que qualquer um de nós pode suportar".
- Foi a pior experiência da minha vida. A mais devastadora da cidade pela qual eu era responsável - lembra-se Giuliani.
Uma década depois, a pessoa mais identificada com o 11 de Setembro aproveita sua experiência de forma lucrativa, oferecendo assessoria em questões de segurança. Mas Giuliani carrega a frustração de não ter conseguido se eleger presidente dos Estados Unidos. Seus feitos depois do ataque às Torres Gêmeas não foram suficientes para suprir uma deficiência estratégia nas primárias republicanas.
Giuliani considera a possibilidade de se candidatar novamente em 2012, mas está custando recuperar o prestígio de que gozou com a tragédia. Desta, a lembrança mais vívida é a de pessoas se jogando dos prédios. O prefeito chegou ao lugar minutos depois de o segundo avião se chocar com a Torre Sul.
- Olhava para cima e vi um homem no piso 101. Ele parou na janela e se atirou - Vi o fogo atrás dele. Fiquei paralisado, sem compreender o que acontecia.
Nem teve tempo. Começou a percorrer a área, dirigindo a operação de segurança e as tarefas de resgate, visitando hospitais e tratando de evitar que o caos imperasse.
- Deve ter havido o momento em que pensei: não podemos enfrentar isso - diz.
À tarde, deu entrevistas para descrever a magnitude da tragédia:
- Me solidarizo com toda as vítimas inocentes deste ato de terrorismo tão horrível e sanguinário - manifestou. - Agora devemos nos concentrar em salvar o maior número de vidas possível.
Neste momento, Giuliani passou a ser o porta-voz nacional da tragédia. A calma e a autoridade que transmitiu ofuscou o presidente George W. Bush. Antes dos ataques, os nova-iorquinos pareciam querer se livrar de Giuliani, cuja popularidade estava em declive por casa de conflitos pessoais. O dramático fim de seu casamento com Donna Hanover e sua relação com Judi Nathan, hoje sua mulher, apareciam mais que seus feitos como prefeito. Eleito a primeira vez em 1994 e reeleito em 1998, seus feitos incluíam a ressuscitação econômica de Nova York, depois de décadas de deterioração.
Os conflitos matrimoniais de Giuliani vieram à tona ao mesmo tempo em que ele teve diagnosticado um câncer de próstata. Os dois acontecimentos o obrigaram a desistir de competir com Hillary Clinton por uma vaga no Senado. A turbulência deixou Giuliani, aos 57 anos, com um futuro incerto, até ocorrerem os ataques. Os elogios que ganhou neste dia o tornaram um homem rico. Ao deixar a prefeitura em 2002, Giuliani se tornou chefe de um escritório internacional de advogados chamado Bracewell and Giuliani. Fundou também a empresa de assessoria em temas de segurança Giuliani Partners. Ele é contratado para falar de segurança e economia nos Estados Unidos e no resto do mundo. E é partidário de várias campanhas de caridade, para as quais, à vezes, consegue ganhar, em uma partida de golfe, US$ 40 mil.
Hoje, Giuliani diz se sentir "um pouco sensível" quanto às acusações de que tem lucrado com a tragédia.
- Eu já eram bem-sucedido antes do 11 de Setembro, e estava seguro de que seguiria assim quando deixasse de ser prefeito - diz, garantindo que sempre pensou em abrir um escritório de advocacia e uma assessoria em temas de segurança. - O que representou o 11 de Setembro para mim? A minha fama aumentou em nível nacional. Claro que a tragédia teve impacto nessa fama, mas não foi a única razão para eu ter tido sucesso.
A política eleitoral nacional, no entanto, é uma área na qual, definitivamente, Giuliani não obteve sucesso. Em 2008, ele entrou com grande pompa na disputa presidencial, e encabeçava as pesquisas entre os republicanos, apesar de suas posições moderadas em torno de temas como aborto e direitos dos homossexuais. Na campanha, não parava de fazer alusão à sua experiência em segurança e contraterrorismo, tanto que o então senador Joe Biden, que buscava a vaga de vice-presidente democrata, atirou: "Há somente três coisas que Rudy Giuliani inclui em uma frase: sujeito, predicado e 11 de setembro."
A campanha de Giuliani cometeu graves erros estratégicos, ignorando primárias em estados como Iowa e Nova Hampshire em favor da Flórida. Sofreu uma derrota constrangedora e abandonou a disputa após ter gasto US$ 59 milhões.
- Existe uma verdade inerente ao processo das primárias: ninguém ganha as primárias estando na frente em pesquisas nacionais; ganha-se ganhando Iowa, Nova Hampshire, Carolina do Sul e Flórida. Houve mais uma centena de erros na campanha, mas esta centena talvez pudesse ter sido corrigida.
Apesar do retumbante fracasso, Giuliani pensa em relançar sua candidatura à presidência. Sonha criticar o presidente Barack Obama, a quem acusa de ter herdado uma situação econômica péssima e de tê-la transformado em algo pior. Afirma que, em uma futura disputa, se concentraria em ganhar Nova Hampshire, um estado onde os republicanos são mais moderados que em Iowa, e onde os independentes podem votar em uma primária partidária. O tema ambiental evoluiu desde 2008, e Giuliani garante que tem as credenciais para cuidar do assunto.

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