4/27/2012

Igreja luterana permite que pastores gays vivam com seus parceiros na casa pastoral


Uma decisão tomada pela Igreja Evangélica Luterana da Saxônia, na Alemanha, vai permitir que pastores homossexuais vivam com seus parceiros na casa pastoral de uma comunidade. A decisão foi tomada no final da semana passada pelo Sínodo (parlamento) da igreja, que chegou a um acordo após meses de debate.
O Sínodo manteve a união entre um homem e uma mulher como o modelo ideal para a vida pastoral, como concessão àqueles que exigiam a manutenção da atual norma, datada de 2001 e que proíbe casais do mesmo sexo de ocuparem a casa pastoral. Porém passou a permitir que, em “casos excepcionais”, religiosos homossexuais ocupem a casa pastoral, desde que tenham a aprovação da direção da comunidade.
A decisão dividiu opiniões dentro da igreja, que foi a terceira das igrejas regionais que formam a Igreja Evangélica da Alemanha (EKD, na sigla em alemão) a decidir sobre a questão. Antes da Igreja Evangélica Luterana, as Igrejas Evangélicas de Baden e de Württemberg, também haviam decidido a favor dos pastores homossexuais em “casos excepcionais”.
O pastor Christoph Wohlgemuth, de Chemnitz se diz aliviado com a decisão e compara o processo de decisão da igreja com sua própria luta pra se assumir homossexual. “Foi uma luta de um ano”, afirmou. Wohlgemuth atualmente trabalha num hospital e mora numa casa particular, mas com as novas regras sua situação pode mudar.
Segundo a Deutsche Welle, o estudante de teologia David Keller, que é contrário a decisão, afirma que homossexuais nem deveriam ser autorizados a exercer o sacerdócio ou assumir cargos eclesiásticos. Keller diz ser tolerante em relação aos homossexuais, mas afirma que essa tolerância alcança um limite ético na questão das casas pastorais. A maioria dos opositores dos casais homossexuais se mostra cuidadosa ao criticar a decisão.
Com um tom diferente da maioria dos opositores, um pastor de Chemnitz, enviou uma carta às comunidades da Saxônia na qual diz que a Bíblia vê “a prática da homossexualidade como uma terrível aberração e um dos piores pecados” a despertar a ira de Deus.
Ralf Michael Ittelmann, do movimento gay-lésbico cristão de Dresden, defende a ideia de que homossexualidade e cristianismo não são contrários, e afirma que “não há nada definitivo sobre esse tema na Bíblia, que fala de práticas específicas, como a pederastia, mas não de parcerias homossexuais”.
De acordo com o porta-voz da igreja, Matthias Oelke, por enquanto a decisão não tem efeitos práticos, pois nenhum dos pastores homossexuais da igreja manifestou interesse em fazer uso do novo direito. A Igreja Evangélica Luterana da Saxônia tem cerca de 700 pastores e pastoras, e entre esses 15 se declaram homossexuais.

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